Sexta feira, 10 de Abril de 2009

O que faz de um pequeno relato um conto está longe de ser apenas o seu tamanho, ao contrário do lugar comum prevalecente. Um conto é a soma algébrica de três factores: urgência, ambivalência, simetria. Por isso, são exemplos clássicos do género quase todas as histórias de Chesterton, das policiais às fantásticas, ou as de Allan Poe, ou as de Flaubert, para citar autores de diferentes latitudes. Tchekov, Borges e Kafka não contam como exemplos, porque são insuperáveis, e não seria justo para os restantes.
Dito isto, não percebo a admiração por Flannery O’Connor. Reconheço nos seus escritos a brevidade; certamente praticou como poucos a duplicidade, essa vaga noção atmosférica; o problema é que ignoro nas suas curtas páginas o obscuro lugar onde escondeu a simetria.