Pitágoras e depois dele os seus discípulos, pitagóricos e neo-pitagóricos, viram no universo uma construção matemática. À sua maneira, Galileu, Descartes, Pascal, Leibnitz e Newton fizeram o mesmo. Como também o fez Einstein. A ser verdade, tudo, até a literatura que é tecida de letras, se resume a números e formas geométricas. Nesse caso, acredito que um romance será uma linha recta; uma novela, um segmento; os contos não serão senão círculos; e o teatro corresponderá a uma elipse, cuja largura da trajectória depende da qualidade das peças. A poesia, de todos os géneros, mesmo quando disfarçada de prosa, é a que tem a forma mais fluida, mas também a mais nítida: trata-se de uma linha espiralada. Interminável, não periódica, sempre ascendente.
Domingo, 15 de Março de 2009

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