Sábado, 08 de Outubro de 2005

Alguns dados estatísticos sobre o Lago Titicaca, Perú/Bolívia: está situado a 3809 metros de altura, a sua superfície é de 8560 km2, tem de profundidade máxima 274 metros e dispõe do impressionante volume de 896.000.000 m3 da mais absoluta água cristalina. É o lago navegável mais alto do mundo.

Alguns dados míticos sobre o Lago Titicaca, Perú/Bolívia: numa tradução literal da língua Inca, o quechua, significa o Puma de Pedra. O Puma representa o mundo terrestre e convive na mitologia peruana com o Condor, que domina os céus e com a Serpente que impôe o seu poder subterrâneo. Foi, segundo a cosmogonia Inca, do Titicaca que emergiram Manco Capac e Mama Oclio para fundar o sábio e poderoso Império Centro-Americano.

Alguns dados etnográficos sobre o Lago Titicaca, Perú/Bolívia: é habitado por populações locais que vivem em ilhas flutuantes e por outras, mais sedentárias, que preferem ilhas com outra fixidez e estabilidade. Todas, sem excepção, vivem da agricultura, do artesanato têxtil e da pesca. O turismo comeca a ter um lugar importante na sua subsistência, mas é gerido de forma criteriosa. Controlam-se os acessos e os excessos. Em Amantani, uma das ilhas do arquipélago lacustre, é possível conviver com os nativos, dormir com eles (salvo seja) e usufruir da sua hospitalidade (fantásticas panquecas, excelente sopa de quinua, bom mate, deliciosa coca!!!, tudo cozinhado e aquecido a preceito sobre o carvão). As festas locais podem ser frequentadas pelos visitantes, desde que vestidos a rigor, trajando coloridos gorros andinos e poncho de gala (fotografias não disponíveis).
Coreografia fácil. Cabelos louros recebidos com entusiasmo. Música infernal.

Alguns dados climáticos sobre o Lago Titicaca, Perú/Bolívia: clima altamente instável. A chuva sucede-se ao vento, aos relâmpagos e ao céu claro. Tudo num espaço de poucos minutos. O sol, quando faz a sua aparição é sempre bem vindo, especialmente quando encontra o viajante no convés de uma embarcação que desliza, tranquila, sobre a superfície espelhada do lago.

Alguns dados entusiásticos sobre o Lago Titicaca, Perú/Bolívia: viajar é conhecer lugares diferentes, recolher lendas e mitos, provar gastronomias variadas, conhecer outras culturas. Mas viajar é também conhecer novas pessoas, diferentes mundivisões, distintas nacionalidades. O que se torna especialmente fácil aos viajantes solitários, pela sua disponibilidade e pela predisposição para a troca de opiniões e graças aos laços imediatos de solidariedade que se criam, por força da imediata e evidente partilha de um interesse comum: o de viajar, o de descobrir, o de desbravar novas fronteiras.
A maior parte das vezes surge, imediata, a simpatia franca, a conversa agradável, a troca de experiências, as recomendações onamotopáicas de itinerários; menos frequentes são contudo os casos de empatia absoluta. No lago Titicaca, tive esse prazer, esse raro privilégio. Conheci um jovem, bonito e simpático casal francês, da minha idade, com a sua linda, intrépida e aventureira filha, a lourinha Mila, de quase três anos. Minha inseparável companheira de aventuras durante dois dias. Capaz de pescar baleias gigantescas com as suas pequeninas mãos, de se maravilhar perante a visao de pássaros e borboletas multicolores, de andar, corajosa, sob os fios de prumo das mais altas montanhas. Um sorriso que nos desarma; um riso, quente, que nos arma. Para nova brincadeira, para nova incursão ao imaginário infantil.
Os três, pai, mãe e filha a fazerem o seu tour le monde, como William Fogg, personagem fantástico do seu conterrâneo Jules Verne. Não como ele em 80 dias mas em corajosos e aventurosos 365.
Só lamento, por esta altura, o meu limitado francês. Mas espero que nas muitas palavras trocadas, nos gestos e nos sorrisos afectuosos tenham percebido que lhes desejo uma inolvidável viagem pelo mundo, muitos felizes encontros e, especialmente, acima de tudo, uma vida feliz. Espero revê-los um dia. O convite para nova paragem ficou feito.
Bonne Chance Luc, Rebécca et Mila!!!