Perder-me nos poemas labirínticos de Borges, sentado nas escadas de alvenaria da Biblioteca Nacional de Buenos Aires. A seguir, prospectar as águas argênteas do Rio de La Plata. Tomar um café aromático, reparador, no mercado do porto de Montevideu. Depois, cruzar as pampas, a todo o vapor, no ventre de um comboio, enquanto esventro um continente. Protestos indignados contra Pinochet em Santiago do Chile, seguidos da colheita de uma rosa no deserto de Atacama. Entretanto, há os Andes. E, logo a seguir... há os depois: visitar Cuzco, invadido pela curiosidade; percorrer os velhos trilhos Incas, rumo a Machu Pichu; e voar nas asas do desejo, imitando o planar rasante de um condor sobre o lago Titicaca, a 4000 metros de altitude...
Por enquanto, apenas projectos. Lastro demasiado grande para transportar em tão pequena mochila de viagem. Daqui a um mês, espero que já memórias. Chaves-mestras para fugir à realidade. Nessa evasão da mente ganhando forças para suportar a invasão do quotidiano.
Até já!
Sexta, 16 de Setembro de 2005

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