As séries de televisão – como os verbos – conjugam-se. Em várias pessoas e em diferentes tempos. No singular e no plural; no pretérito ou no presente, no futuro ou no condicional.
Eu, noite após noite, ao bater exacto das 23:30, cesso de usar o verbo irregular do zapping para conjugar, sem omissões e com irrepreensível diligência, A Educação de Max Bickford. Faço-o sempre na primeira pessoa do singular, num tempo serial mais-que-perfeito. Quarenta e cinco minutos de puro enlevo e deliciosa letargia quotidiana, apreciados serenamente na reconfortante mansidão do lar.
Por feliz paradoxo gramatical, o mundo imperfeito de Bickford revelou-se a mais que perfeita forma de colocar um ponto final parágrafo nos dias que sobre mim se fecham.
Quinta, 25 de Agosto de 2005

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