Sábado, 10 de Setembro

A amizade e o amor – outra vez a amizade, outra vez o amor – são fonte incondicional de alegria. Contudo, é na tristeza que verdadeiramente se testam, no acto confessional da mágoa e do pesar. É possível rir com desconhecidos. Menos fácil, sorrir. E é, de todo impossível, chorar com eles. Só com os amigos, com aqueles que se ama, se pode aliviar a alma e libertar os pesos que o peito, quantas vezes carregando tonelagens que não foi feito para suportar, carrega.
Os meus pais – os meus melhores amigos e os meus grandes amores – carregam o insustentável fardo de lidar com a minha taciturnidade, com o meu lado mais sombrio, negro e lunar. Não é porque não lhes queira dar alegrias. Mas porque só eles são capazes de suportar a minha incomensurável tristeza. Precisava que alguém lhes explicasse isso. Porque eu não consigo. Sempre que o tento, a garganta aperta-se-me, os olhos turvam-se e sou acometido por uma torrencial vontade de chorar. Como agora.